Nunca é tarde demais, mas sei que já vem tarde esta viagem. Isto são pequenos pedaços de nada que escondi, esqueci, deixei a marinar... Uns no pó de gavetas, outros no pó de mim mesmo. Já era altura de verem a luz... Disfrutem.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

O Fundo

Ainda te vejo a sorrir.
Está queimado nos meus olhos, isto.
Estã tatuado na minha pele, ali onde é suposto ter um coração
Ainda dormes (ou sou eu que te vejo a dormir)
Tentei acordar-te, mas desisto.
Estás escondida na mesma pele, ali acima de onde é suposto ter a gratidão
Estás por dentro dela, aninhas-te entre as minhas veias
Enrolas-te nelas, como tuas teias
E fazes de mim renda respirada em ti
E saio disto como um naperon de televisor
Metade desconforto, metade calor
Outra metade amor
Outra metade assim,Partido
Completo
Sem aspecto definido, um projecto inacabado
Ou projecto concluído, sem aspecto desenhado
Mas acordas,espreguiças-te  e sorris-me
E os meus muros rebolam, e no fundo
Sorrio
Porque no mesmo fundo
Me fizeste um
Do lodo
Me fizeste barro
Porque me encheste o vazio
Porque se te agarro
Não sinto mais frio
Aconchegas-te-me  onde tenho tudo
E beijas-me no fundo
De mim

E nesse bocado fico um todo.