Nunca é tarde demais, mas sei que já vem tarde esta viagem. Isto são pequenos pedaços de nada que escondi, esqueci, deixei a marinar... Uns no pó de gavetas, outros no pó de mim mesmo. Já era altura de verem a luz... Disfrutem.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Vê lá bem. Se calhar foi o Caldo Verde



envergonhaste o sol com a voz
deixaste-o amuado confuso, tonto
angustiado... triste, pronto!
a murmurar "já fui. a lua virá aí, após"

Determinaste o céu com o olhar
para que ele te fosse indeciso,
ser consolo, ser-te preciso
ser-te sentido, sentir-te a pulsar

inventaste trinta e meia maravilhas
para que as quisesses fazer
ocorrer
e trinta e duas meias guerrilhas
para as fazer adormecer
morrer

queres sentir-te viva afinal
ainda és dona, dor de um instante
de um fino charmoso elegante
je ne sais quoi intelectual

animal
e sempre sempre a tua fome
doente
de viver
fundamental

rainha doida que ocupa ausente
o sempre carente trono do desalento
o punho dormente pede-te que o lamento
que te dorme na boca se lamente
de vez
e de repente
3

2

um estalo de ti faz-te vir a ti
depois?
tudo parece anormal
fundamental
outra vez
nada mais deixou de ser castanho aqui

e a boca sabe-te a um orgasmo ao contrário
se é que sabes de quem ou a que sabe
se não ocupa lugar, o saber, sabor, onde cabe?
sapienta, saborosa, ris-te do teu insano corolário


tens os fios de sabedoria a pender da tua deiade
enquanto a tua enormidade
escorrega da verdade fundamental
que se apoia na ovalidade
e perfeito apoio elementar
(ocasional)
de uma estrutura filosófica vulgar
de um material
fantástico
que mais não é que normal
Plástico

e contudo, tremente
premente
ainda
sempre sempre a tua vontade
doente
de viver
fundamental



e quando ainda a tua vontade doente
fundamental
animal

é presente
de viver
se calhar, vê lá bem
ela se calhar é maior que ti, sem querer

Vá lá......




Dá-me boleia
Para esse sítio que sussurras
Onde a Lua não desce
Nem o Sol aparece
Dá-me o lugar do morto
que seja
debaixo dessa ponte
que tens medo de passar
Onde,com medo de gritar
Segredas...
Um abrigo
onde possa descansar
No teu jazigo bom
Onde morrem os meus medos
Onde a tua maravilha se esconde
e não me deixas entrar
transporta-me
quero saber o teu segredo
falar do tempo que faz e de conversas sem sentido
se calhar já vias os teus amortecedores
e me contavas o que te faz franzir os olhos
o que os faz brilhar
o que os faz sorrir
Quero um tandem
a dois!
e uma fotografia sépia de nós
comigo de bigode e contigo de ti
um pic-nic no campo, uma toalha aos quadrados
e esse teu sorriso parvo
quente
calmo
adorme.....ce...n...te...
quero saber que doença estranha tens que não te deixa chorar....
e acordo
sem bigode
sem ti
sonhar e tudo quanto escrevi não passou de um sonho...
o cliché mais cliché ....
mas acordo e sonho de pé
e sorrio como tu
Acto I:
estou á beira da estrada
estava á tua espera
que me abrisses a porta e me perguntasses
"para onde vais?"
e eu sorrisse e dissesse
"para ti"