
envergonhaste o sol com a voz
deixaste-o amuado confuso, tonto
angustiado... triste, pronto!
a murmurar "já fui. a lua virá aí, após"
Determinaste o céu com o olhar
para que ele te fosse indeciso,
ser consolo, ser-te preciso
ser-te sentido, sentir-te a pulsar
inventaste trinta e meia maravilhas
para que as quisesses fazer
ocorrer
e trinta e duas meias guerrilhas
para as fazer adormecer
morrer
queres sentir-te viva afinal
ainda és dona, dor de um instante
de um fino charmoso elegante
je ne sais quoi intelectual
animal
e sempre sempre a tua fome
doente
de viver fundamental
rainha doida que ocupa ausente
o sempre carente trono do desalento
o punho dormente pede-te que o lamento
que te dorme na boca se lamente
de vez
e de repente
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um estalo de ti faz-te vir a ti
depois?
tudo parece anormal
fundamental
outra vez
nada mais deixou de ser castanho aqui
e a boca sabe-te a um orgasmo ao contrário
se é que sabes de quem ou a que sabe
se não ocupa lugar, o saber, sabor, onde cabe?
sapienta, saborosa, ris-te do teu insano corolário
tens os fios de sabedoria a pender da tua deiade
enquanto a tua enormidade
escorrega da verdade fundamental
que se apoia na ovalidade
e perfeito apoio elementar
(ocasional)
de uma estrutura filosófica vulgar
de um material
fantástico
que mais não é que normal
Plástico
e contudo, tremente
premente
ainda sempre sempre a tua vontade
doente
de viver fundamental
e quando ainda a tua vontade doente
fundamental
animal
é presente
de viver
se calhar, vê lá bem
ela se calhar é maior que ti, sem querer
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