Nunca é tarde demais, mas sei que já vem tarde esta viagem. Isto são pequenos pedaços de nada que escondi, esqueci, deixei a marinar... Uns no pó de gavetas, outros no pó de mim mesmo. Já era altura de verem a luz... Disfrutem.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Boa Noite Assassina


As lápides de cimento armado caem-te em cima
com o peso de um suspiro cansado
magoado
decadente
uma cidade feita da neblina de lamentos
repetidos até não fazerem mais sentido
que te agasalha
como um cobertor feito de cinzento
feito dos ossos de que são feitos os teus sonhos
Esta cidade tem dedos.
E apertam-te, os malditos...
Esmagam-te
Engasgam-te com o seu suor de sabor a vidro
Causa-te desconforto esse colete de forças
essa corda transparente.
queres puxar um grito do fundo da tua claustrofobia
Queres bater no mundo
mas o cabrão é maior que tu...
e sôfrego de afronta baixas a cabeça
porque já perdeste a coragem de olhar em frente
de dizer para os olhos dos mortos que viajam contigo
"eu também sei o que é isso"

Dói-te o anteontem
e logo agora que se te acabaram os comprimidos....

3 comentários:

Helena disse...

Que bom que vim aqui parar ;)
Vou linkar-te no meu blog, posso?
Bjs de papel

Ó-Bico-Welu disse...

Ainda bem que gostas, e sim claro que podes. Adorei o teu também. Tem uma sensualidade noir, como eu gosto. Parabéns. :)
Jitos em caixas

Carlos Ramos disse...

Interessante o bastante. O filme é muito bom. Voltarei para mais sequelas. Agradeço também ter a pachorra de me visitar.

Abraço