Nunca é tarde demais, mas sei que já vem tarde esta viagem. Isto são pequenos pedaços de nada que escondi, esqueci, deixei a marinar... Uns no pó de gavetas, outros no pó de mim mesmo. Já era altura de verem a luz... Disfrutem.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Breve dissertação sobre a desilusão da Gramática


Tenho vontade canibal
de me morder
E escrever
Sobre não conseguir escrever
sobre o que não quero dizer
Mas contrária aos meus protestos
veementes
ao que parece
a caneta continua a correr
Definitivamente
já nem a minha vontade me
obedece.
Olá folha, confidente
(não me responde....) Insolente!
,diz a boca (...alega que não me conhece)
e os olhos (para quem a minha opinião não é assim tão importante)
seguem, em calma e distraída souplesse,
a tinta que ejacula alegremente
neste mar de celulose
que se apresenta á minha frente.
Um orgasmo lexical
que continua a desfilar
despreocupadamente
a desfiar a minha mente
sem nexo
sem sexo
no quadrado
de lado
maior vertical
que é esta pedaço branco de matéria vegetal.
Despudoradamente
desordenadamente
Sem ter em atenção
a vontade e a razão
do dono do punho que desespera
(com indisfarçável ansiedade)
pelo fim da dissertação
Era tão bom, não era?
Que a Humanidade
fosse apenas uma mera
força de expressão?.....

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