Nunca é tarde demais, mas sei que já vem tarde esta viagem. Isto são pequenos pedaços de nada que escondi, esqueci, deixei a marinar... Uns no pó de gavetas, outros no pó de mim mesmo. Já era altura de verem a luz... Disfrutem.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Na cama de Lúcia



Ficava triste Lúcia
e
numa noit
ensopava a almofada com os medos
Olhando o mar que não existia ali
Só pó e pedras e dor e morte
Naquela muralha agora sua
De súbito a vida..
a tão esperada tão odiada vida
perdida num eterno instante
num infinito agora
num imenso hoje tão noite
era a vida que a chamava
a outra ela
A sua esperança gritava por vingança
dentro dela
Um lugar que nunca tinha tido nada
Estava vazio
a sua solidão tinha ali partido
Abre os olhos tristes, Lúcia...
Pobre Lúcia
Triste Lúcia
Olha para o nada que te chama dali mesmo
Do teu reflexo
Olha para a surdez de olhar para ti Continuas a chorar o adeus dos teus desabafos?
A morder o ressentimento dos teus passados?
ingénua Lúcia.... Fecha os olhos agora... Já nada existe.... Nem sequer tu.

Sem comentários: